domingo, 28 de abril de 2019

Os injustificados e inconcludentes caprichos de um velho casmurro acerca do novo cartaz do Amplifest



O Amplifest está de volta! Um festival de um nicho musical alicerçado no obscuro, pesado, distorcido e dissonante. Dos posts aos cores dos géneros musicais. Muitos o apelidam, talvez injustamente, de mini Roadburn. A única certeza indubitável é a paixão calorosa que se sente pela música durante os dias em que decorre. Pelo menos sempre foi assim nas edições anteriores que presenciei, sem exceção.

Naturalmente, devido ao seu notório prestígio e não só, é com todo mérito que o novo cartaz foi aguardado e recebido em avultada antecipação. Mais uma vez, apresentam um excelente grupo de bandas e artistas, resultado de uma já usual curadoria hábil e oportuna. Eu próprio fiquei muito entusiasmado enquanto descendia com os olhos a escada irregular dos nomes exibidos.

Apesar disto, de todas as edições este foi o cartaz que mais me desapontou. Arrepio-me da minha ingratidão. É definitivamente coisa que não conseguiria dizer em voz alta. Mas ainda assim, apesar do embaraço e desrazão que me habilito a ser submetido, exponho a minha descarada justificação.

Ignoro as razões porque o festival entrou num hiato de três anos, mas tenho a certeza que por de trás desta pausa residem as mais compreensíveis causas. Conhecendo a paixão e a diligência com que a promotora trata os artistas, os gigs, os seus clientes e acima de tudo a música, não teria lógica ser de outra forma. Assim sendo, é de louvar o vigor da promotora ao restabelecer este ambicioso festival.

Posto isto, para além da omissão de um nome mais sonante (ou dissonante em terminologia amplifest), a qualidade e a grandeza do cartaz não diferem muito das edições passadas. Claro que esta supressão tem a sua relevância no meu estado de espírito. Em 2019 não teremos nada da dimensão de Neurosis, Godspeed, Swans, Cult Of Luna, Converge ou até mesmo concertos quase inéditos como foi o de Altar Of Plagues em 2015. Discutivelmente, os dois maiores nomes desta nova edição são Deafheaven e Amenra, que por sua vez são bandas repetidas. Emma Ruth Rundle também esteve há pouco tempo no Porto a dar lindíssimos concertos a solo sob o alçado da Amplificasom. Bliss Signal, não sendo uma recorrência, traz um artista que esteve presente no festival duas vezes (Altar Of Plagues e Wife). As bandas portuguesas (Candura e Gaerea), não negligenciando a sua qualidade e surpreendente faculdade de encaixe nesta irregular escada de grupos musicais, são de contrato fácil. Assim sendo, Birds In Row, Daughters e talvez Inter Arma são, para mim, as melhores surpresas. De resto desconheço ou pouco ouvi para ter gosto formado, mas estou plenamente convicto da sua qualidade. É esta a confiança do habitual freguês da Amplificasom, qualidade que efetivamente lhes proporcionou uma reconfortante e acelerada venda de bilhetes nos primeiros dias após o anúncio.

Como velho casmurro, eu posso praguejar à vontade o não cumprimento dos meus injustificados e não convincentes caprichos. O mais certo é marcar presença, e no fundo tenho plena consciência que carecia profundamente de Amplifest. É realmente um festival com um ambiente único e peculiar. É uma sorte existir um evento como este em território português, e por essa razão, quando pondero o investimento, lembro-me que não estou apenas a pagar para ver um conjunto de bandas, mas também presenteio-me com uma ampla experiência singular.





terça-feira, 11 de setembro de 2018

Beyond The Black rainbow – Ode Ao Estilo



Raramente um filme dispõe de total liberdade. Apesar de frequentemente existir uma independência criativa, estes são muitas vezes moldados à vontade do dinheiro, tempo ou até mesmo reprimidos por um certo medo de arriscar. Quando se concebe algo muito pessoal, é sempre difícil brotar essa ideia num mundo que geralmente se apresenta ignóbil e cruel a perspectivas mais ambiciosas.


“Beyond The Black Rainbow” não sofre restrições, é idealizado pela paixão e desprovido de quaisquer escrúpulos. Conduz o visualizador numa viagem psicadélica, espirituosa e, acima de tudo, estilosa. Como seria de esperar de um filme que prioriza as perceções visuais e auditivas, o enredo é bastante simples. O instituto Arboria, fundado nos anos 60, tinha como objetivo principal encaminhar os humanos a um novo patamar que reconciliaria a ciência e espiritualidade, alcançando assim o supra-sumo da felicidade. Duas décadas depois, mais precisamente em 1983 (ano em que decorre o filme), é percetível a dissimulação dessas boas intenções. Elena, possuidora de peculiares poderes psíquicos, é observada de perto pelo excêntrico doutor Nyle através de regulares terapias. 


“Beyond The Black Rainbow” faz questão de salientar as influências provenientes dessas duas épocas. Retrata a efusiva busca pelos limites da mente humana, e uma procura pela felicidade pós-guerra caraterística dos anos 60. Como também assenta os seus pilares num estilo psicadélico acompanhado por maravilhosos sintetizadores, algo que muitos associam de forma nostálgica aos anos 80. A música é a principal responsável pela excelente e singular atmosfera do filme. As ondas sonoras, provocadas essencialmente por sintetizadores, trespassam elegantemente a sobriedade dos sentidos, por vezes é ameaçadora e assustadora, por outras chega a ser calma e futurista. Complementa de forma inteligente os arrojados planos e efeitos visuais.


Existe uma analepse apresentada numa audaz direção artística, onde o filme exibe uma sequência lunática, e de certa forma bastante criativa, que procura pintar o estado de espírito de uma droga clarividente e transcendente. É muito interessante! Não consigo deixar de me sentir grato pela existência de realizadores como Panos Cosmatos que possuem a ousadia de realizar filmes que acima de tudo preferem mostrar ao espectador o seu mundo, em vez de os contarem através de ricos e sumptuosos guiões. Vários graus de iluminação, tons de cores florescentes, cenários futuristas, atrevidas escolhas artísticas… Beyond The Black Rainbow é uma ode ao estilo, e apesar das suas lacunas ao nível do enredo, satisfaz por aquilo que é.

Liberdade criativa totalmente fora de controlo.



segunda-feira, 30 de julho de 2018

"O Meu Maior Desejo" - A Desintegração da Infância



Quando “O Meu Maior Desejo” foi lançado em 2011, já ninguém duvidava nas capacidades de Hirokazu Koreeda para realizar um filme sobre emoções humanas em seio familiar. Essa é claramente a sua assinatura. Nesse aspecto, nada de novo acontece neste filme pois todo o argumento gira em volta de uma família, destacando a relação entre dois irmãos (Koichi e Ryunosuke). O que me faz gostar deste filme em particular, é que apresenta um carácter sonhador e nostálgico. A sua pureza é edificante, e transparece a ingenuidade inocente de crianças que a certa altura terão de crescer, perdendo assim essa particularidade. Será esse momento uma continuidade de circunstâncias? Ou poderá ser definido num só instante? Acredito que este filme apresenta a segunda hipótese, numa reviravolta tão brilhante e subtil como natural e bonita.
A ideia de que é possível pedir um desejo quando dois comboios se cruzam a alta velocidade ficou entranhada na cabeça de Koichi. O seu maior desejo, é que a sua família se volte a juntar. Koichi vive com a mãe em Kagoshima, enquanto que o seu irmão Ryunosuke vive com o pai em Fukuoka. Apesar de Ryunosuke estar incerto quanto a uma reunião familiar, aceita o desafio. Ambos juntam os seus melhores amigos, recolhem dinheiro, e partem numa viagem de reencontro com um objetivo em comum. Pedir um desejo.

Embelezar os pequenos momentos do quotidiano, continua a ser uma das artes de Koreeda. Como de costume, o filme é muito bem realizado, e realça os encantos e desencantos da simples complexidade da vida. É recheado de pequenos grandes momentos que no seu conjunto ajudam no culminar e realização da reviravolta. O crescimento das crianças vai-se fazendo notar ao longo do filme, em pequenos comentários, perceções e ações que mais tarde explodem numa transformação interior. As personagens adultas manifestam problemas frívolos de realidades tristes que contrastam com os desejos sonhadores dos mais novos, que à força do milagre querem as suas vontades realizadas.
O último terço do filme abarca numa viagem de espírito aventureiro. Os dois grupos tentam encontrar o melhor local para expor os seus desejos. Não deixa de ser engraçado o facto de eles andarem sempre na correria de um lado para o outro, por vezes de forma desajeitada e com grandes mochilas às costas.


No momento do desejo, Koichi faz uma retrospetiva da sua vida que é representada numa série de planos simples e belos, muitos deles apresentam objetos que tiveram uma importância aparentemente não muito relevante no desenvolvimento do filme, mas que aqui ostentam um grande valor de introspeção e realização. Koichi tem uma boa vida, e o seu desejo é egoísta. Talvez seja melhor deixar as coisas seguirem o seu rumo. Esta sequência de planos é acompanhada por uma bela melodia de guitarra acústica que complementa o momento. Este é o instante que demonstra crescimento, e é tratado de uma forma brilhante e subtil. Durante a sequência também aparece uma série de fotos que demonstram a felicidade dos dois irmãos quando eles viviam juntos, interpreto estas fotos como uma despedida. O adeus à infância, e com ela também se desintegra a inocência. Tudo isto, é complementado na perfeição pela conversa de despedida entre Koichi e Ryunosuke. Nenhum deles pediu como desejo a reunião familiar, contudo, ambos entendem, com poucas palavras, que talvez seja melhor assim. A partir daquele momento, todas as crianças aparentam ter uma atitude diferente na interpretação dos seus desejos e nos meios para os alcançarem. Perseguem agora os seus sonhos, sem milagres.

E assim desenrolam-se as suas vidas.




terça-feira, 10 de outubro de 2017

Life is Strange: O Melhor Final

Spoilers de nível crítico!!!


Life is Strange é um jogo que inspira o jogador a reflectir o passado e o futuro, enquanto o obriga a tomar decisões na perspectiva da personagem Max. A sua grande mensagem, discutivelmente, demonstra aos jogadores a importância das decisões, e o quanto elas podem alterar a realidade que nos rodeia.

No entanto, quero realçar outra ideia, também importante, mas que pode ter passado despercebida para a maioria dos jogadores, que é a importância de conceder tempo às pessoas que amamos. Isto é transmitido na relação entre Chloe e o seu pai biológico, mas também, e mais relevante ainda, na intensa amizade entre Max e Chloe. Esta ligação entre elas é o olho da tempestade.



A decisão final entre salvar Chloe e destruir a baía assim como toda a gente que lá vive, ou deixar Chloe morrer e poupar tudo resto, é praticamente a única decisão que importa em toda a viagem. É o juízo final que vai anular tudo o que se passou anteriormente. Ou com a morte de toda a gente, ou com o regresso ao passado onde tudo começou. De um ponto de vista linear, faz lembrar a velha história das diferentes éticas entre Kant e Stuart Mill sobre a forma como se deve avaliar moralmente uma acção.

Sacrificar toda a gente (incluindo bons amigos de Max) por Chloe, não faz sentido de um ponto de vista mais lógico que emocional. No fundo, Chloe foi quem causou o caos por estar constantemente a morrer, e consequentemente necessitar dos poderes de voltar atrás no tempo de Max. O jogo fala muitas vezes de destino, e o dela era morrer em quase todas as realidades. 


Agora, a razão porque digo que a verdadeira mensagem do jogo é  a importância de partilhar o nosso tempo com pessoas que o merecem, é porque penso que esse foi o verdadeiro motivo porque Max obteu o poder de voltar atrás no tempo. Esta habilidade, forneceu a Max a oportunidade de conviver um pouco mais com a sua melhor amiga, mesmo estando ela morta. No fim, na verdadeira realidade, isso nunca aconteceu, mas as memórias são coisas nossas que nem mesmo o tempo nos pode roubar. A borboleta azul deu mais uma oportunidade a Max e a Chloe. Mais vida para elas viverem juntas, que de outra forma não seria possível.



Sacrificar Chloe é o final mais triste, mas é o que preenche mais, e dá um significado a toda a história. O outro final é vazio, um pouco egoísta, e acaba por eliminar esta ideia que transmiti no parágrafo anterior. Acho que a história perde um pouco o seu significado nesse cenário.




domingo, 12 de março de 2017

The Desintegration Loops - dlp 1.1 (Sentimentos e Pensamentos)


Já há algum tempo que conheço o trabalho de William Basinski. No entanto, houve um longo período de tempo em que me esqueci dele e da sua música. Certo dia, vinda dos cantos profundos da minha mente, ouço uma melodia. Não a reconheci imediatamente, mas era-me familiar. Esta acabou por se enterrar de novo sem que eu a descobrisse. Porém, a mensagem ficou, e eu sabia que a reconheceria se a ouvisse de novo.

A melodia pertence a dlp 1.1, uma das faixas de "Desintegration Loops".




É apenas uma música de 1 hora e 3 minutos que repete um trecho de poucos segundos repetidamente. Só que tal como o nome o diz, esta melodia desintegra-se à medida que o tempo vai passando.

Há algo de especial acerca desta música. Era suposto ser uma tremenda chatice. Afinal, qual é a piada de repetir sempre a mesma coisa durante uma hora? Mas não o é. Aliás, tem o efeito contrário, e atira-me para as suas infinitas rotações. Delas não consigo sair, fico preso a um encanto.

Não sei o que há nestes pedaços de som que se podem prolongar na eternidade. Sempre que me encontro a ouvir estes ruídos, não os quero desligar, quero que eles se alonguem. É mesmo uma força física que me impede. Talvez, quem sabe, devido ao medo de que tudo acabe se o fizer.

Trata-se de desintegração, mas acaba por me envolver num sentimento de integração. Tanto que quando o fim chega, deparo-me com um silêncio incómodo. Algo está errado. Falta-me a melodia familiar e acolhedora que ondulava pelo meu cérebro. E sinto-me tão só, tão solitário como nunca estive. Faz-me pensar no meu fim, e no de toda a gente. Mas de uma forma bela.



Provoca-me o transe que por vezes procuro, e consigo ver beleza nisso.



domingo, 4 de dezembro de 2016

Playlist "100 Late Night Transcendences" Spotify

A noite é a tela da inspiração, onde os solitários se refugiam para criar e deixar-se inspirar. Nesta playlist que eu criei no Spotify encontram-se 100 músicas que, na minha opinião, se ouvem melhor à noite, e nela se transformam para ganhar outro sabor. Uma viagem através da escura imaginação, onde a audição é a melhor das drogas.
Aqui vos apresento "100 Late Night Transcendences"!






domingo, 25 de outubro de 2015

Ilha Deserta: Cult Of Luna «Somehere Along The Highway»

Deixo-vos aqui a minha participação na rubrica Ilha Deserta da revista LOUD!, em que eles pedem aos leitores para escolherem o disco que levariam para uma ilha deserta e explicarem porquê, eu resolvi pegar nisto e fazer uma pequena história que se enquadra com o tema desta rubrica. Este texto foi publicado na edição de Setembro de 2015.



Cult Of Luna

«Somewhere Along The Highway
[Earache, 2006]

Desperto de um sonho muito estranho, e sinto areia nos lábios, aos poucos vou tomando consciência do que se passou, o navio, os gritos, a água a perfurar os pulmões. Olho em redor e encontro diante de mim uma ilha, deserta aparentemente. Mais à frente na areia encontra-se uma mala, a mala de viagem que naufragou comigo, dirijo-me até ela e reparo que se encontra aberta, o oceano tudo levou excepto o meu velho mp3 e os respectivos fones que se tinham protegido num bolso impermeável. Pelo menos terei muita música como companhia, penso, mas logo me apercebo que por falta de tempo apenas tinha colocado um álbum na biblioteca o “Somewhere Along The Highway” dos Cult Of Luna. Assim seja, digo em voz alta para mim, vamos explorar a ilha juntos. Coloco os fones e começo a andar.

A suave “Marching To The Heartbeats” irrompe na minha cabeça, sinto esperança acima de tudo, agora que observo melhor o que me rodeia, uma ilha paradisíaca como esta nunca traz sentimentos infelizes, alguma solidão talvez mas acima de tudo felicidade.

Chego ao fim da praia, observo com algum medo uma densa selva, é neste momento que os meus ouvidos reconhecem a “Finland”, mudança de ritmo, maior perigo. Ganho coragem e embrenho-me na selva. Inicialmente caminho um pouco desconfortável, a música apercebe-se disso e solta uns riffs e uns “vocais” mais violentos de quem se impõe sobre o perigo ainda que com receio, no entanto deixa lacunas com algumas das melhores melodias que alguma vez ouvi, onde me é permitido apreciar a maravilha e complexidade desta selva, perigosa mas linda.

Passa-se algum tempo e finalmente chego ao fim deste mar verde, começa a anoitecer, à minha frente surge um pequeno prado com uma extensão de erva alaranjada devido ao crepúsculo, é neste momento que decido fazer uma pequena fogueira com a ajuda de um pequeno isqueiro (que milagrosamente tinha sobrevivido no meu bolso) para passar a noite mais confortável. “Back To The Chapel Town” começa a tocar, fico sentado à luz da fogueira apenas ouvindo a música e a apreciar o pôr-do-sol, ótima escolha, música poderosa em crescendo que me dá coragem para enfrentar a noite mas também contemplar a sua vinda, posto isto não tive dificuldades em adormecer, “away from pain, away from everything”.

Acordo e ainda é de noite, a primeira coisa que faço é dar continuidade ao álbum nos meus ouvidos. É a vez de “And With Her Came The Birds” entrar em cena, sinto melancolia e uma solidão diferente da de que sentia quando cheguei à ilha, desta vez abate-se sobre mim em forma de desespero, sinto fome e começo a desesperar pela primeira vez. A música goza comigo lenta sente todos os meus sentimentos e apodera-se deles subtilmente, mas não é o fim, penso para mim, ainda há caminho a percorrer.

Thirtyfour” entra de rajada como se nada tivesse acontecido, é neste momento que chego a um pequeno riacho com uma cascata, não muito longe em frente o terreno começa a subir na direcção de uma grande falésia que suponho que seja o fim da ilha. Fico sentado numa rocha por momentos a ouvir a música e a observar a cascata. Tudo se abate sobre mim, a água, a vida, a música… esta não tem piedade, parece que nos esmaga, mas eu gosto, o meu corpo sente-se esmagado mas a minha alma em paz, maravilhosa para o espirito, má para o físico tal como uma cascata. É sem dúvida feia por fora mas linda por dentro esta “Thirtyfour”, precisou de alguma insistência mas entrou, e de que maneira.

Começo a subir já com a “Dim” a tocar, mais bela do que as anteriores, esta deu-me forças na sinuosa escalada, violenta nas zonas mais ingremes, perspicaz nas zonas mais difíceis, e bela nas alturas mais fáceis, quando a música calmamente se prepara para finalizar já eu vejo o horizonte “From the skyline dark clouds move in”. Alcanço o final da subida e o início do precipício, ouço a “Dark City, Dead Men” sempre no mesmo sítio, 16 negros minutos, mas belos também, assim o é todo o álbum, melódico, negro, belo, agressivo, introspetivo… sou um homem morto numa ilha deserta, acaba-se uma das músicas da minha vida, um dos álbum da minha vida, a minha vida. Olho para baixo… “This will be the end of me”.