#5 Syndrome
Acredito que não seja uma escolha unânime, mas na minha opinião merece este lugar. Ver e ouvir a "Now And Forever" ser interpretada na integra delicadamente por Mathieu Vandekerckhove foi inspirador. Os visuais criados por Sander Vandenbroucke especialmente para esta música são fenomenais, consequentemente o resultado é uma combinação auditiva e visual não só encantadora e bucólica mas também negra. Junta-se isto tudo, e estão reunidos todos os ingredientes para criar um ambiente reconfortante e pacifico. Um concerto que nos faça sentir assim é, e sempre será, um bom concerto.
#4 Wiegedood
Admito que não ia com grandes expectativas para este concerto, mas agora sei que não tinha razões nenhumas para isso. Wiegedood foi um murro no estômago, que saudades tinha de um ritual de black metal puro e em condições, daquelas colunas brotaram potência e agressividade suficientes para me aquecer o coração e deixar um sorriso na cara. Os malhões de "De Doden Hebben Het Goed" ganharam uma dimensão imensa que quase não cabiam na sala. Ao vivo estes temas apoderaram-se de uma nova vida, e se juntarmos a qualidade do som com a actuação irrepreensível da banda... Não se pode pedir muito mais.
#3 Converge
Quem conhece os concertos de Converge sabe para o que vai, isso mesmo, para a destruição total, mas para uma daquelas agradáveis claro. Houve tanta coisa a acontecer, uns estavam no moshpit, outros a atirar-se do palco, e ainda houve quem agarra-se o microfone e cantasse todos os refrões em plenos pulmões. A entrega da banda foi fenomenal como sempre, são eles que permitem que isto tudo aconteça. A ligação com o publico é muito especial e humilde, vê-se a léguas que eles são apaixonados por aquilo que fazem. Isto faz com que os concertos de Converge sejam únicos, e o do Amplifest não foi excepção, malhas como "You Fail Me" ou "Worms Will Feed/Rats Will Feast" ajudam a festa ser um sucesso, e como não podia deixar de ser, a cereja no topo do bolo com "Jane Doe".
#2 Altar Of Plagues
Ok, assumo que talvez seja um bocado suspeito nesta escolha, visto que Altar Of Plagues é uma das minhas bandas favoritas, e sabendo que pode ter sido a última vez que os vi ao vivo ainda torna o concerto duplamente especial. Mas não pensem que este lugar é uma cunha monstruosa, pois a performance deles foi de uma execução eximia, diria mesmo a roçar a perfeição. O meu corpo na maior parte do tempo estava todo arrepiado, principalmente em músicas como "Twelve Was Ruin", "Scald Scar Of Water" ou " Feather And Bone" que ao vivo têm uma transcendência que não consigo explicar, só estando presente. O trabalho de luzes também foi extraordinário. Obrigado Altar Of Plagues e Amplifest por esta ultima oportunidade.
#1 Amenra
Não consegui dar aos Amenra um lugar que não fosse o primeiro, penso que ninguém independentemente dos seus gostos e opiniões ficaria indiferente a um concerto destes senhores. É como assistir a um ritual em que o objectivo é-nos esmagar o corpo preservando a alma, e nós completamente impotentes estamos absolutamente devotos. A maneira de estar em palco de Colin H. Van Eeckhout é única em todo o universo musical, e o comportamento dos outros membros da banda gira em torno do vocalista. A intensidade foi brutal e quando a coisa acalmou ficou um ambiente frio e fúnebre, o mais impressionante de tudo, é que eles não precisaram de dizer uma única palavra ao público para criarem uma conexão intensa e uma relação especial. Mas não fica por aqui, pois ainda temos os trabalhos visuais e de luzes que são deslumbrantes e pensados ao pormenor. Foi o melhor concerto que vi nesta edição do Amplifest e um dos melhores que alguma vez vi. Se tiverem oportunidade de os ver não pensem duas vezes, tentem apenas não sufocar.
Para concluir queria apenas dizer que o Amplifest é sem sombra de dúvidas uma experiência única para quem gosta destas andanças. Vejam lá que houve uma altura em que olho para o corredor principal e vejo Gilles Demolder (Wiegedood) a conversar com o pessoal de uma banca, o Nate Hall e alguns membros dos Grave Pleasures à beira do bar numa conversa animada, o James Kelly (Altar Of Plagues; Wife) a conversar ao fundo com uns fãs, e ainda o Mories (Gnaw Their Tongues) a imitar um pinguim a andar para alegrar os seus amigos enquanto levava os cds para a sua banca. Este tipo de ambiente não se paga, é especial e único. Estes são dois adjectivos que definem muito bem o Amplifest.

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