O Amplifest está de
volta! Um festival de um nicho musical alicerçado no obscuro, pesado,
distorcido e dissonante. Dos posts
aos cores dos géneros musicais.
Muitos o apelidam, talvez injustamente, de mini Roadburn. A única certeza
indubitável é a paixão calorosa que se sente pela música durante os dias em que
decorre. Pelo menos sempre foi assim nas edições anteriores que presenciei, sem
exceção.
Naturalmente, devido ao
seu notório prestígio e não só, é com todo mérito que o novo cartaz foi
aguardado e recebido em avultada antecipação. Mais uma vez, apresentam um
excelente grupo de bandas e artistas, resultado de uma já usual curadoria hábil
e oportuna. Eu próprio fiquei muito entusiasmado enquanto descendia com os
olhos a escada irregular dos nomes exibidos.
Apesar
disto, de todas as edições este foi o cartaz que mais me desapontou. Arrepio-me
da minha ingratidão. É definitivamente coisa que não conseguiria dizer em voz
alta. Mas ainda assim, apesar do embaraço e desrazão que me habilito a ser submetido,
exponho a minha descarada justificação.
Ignoro
as razões porque o festival entrou num hiato de três anos, mas tenho a certeza
que por de trás desta pausa residem as mais compreensíveis causas. Conhecendo a
paixão e a diligência com que a promotora trata os artistas, os gigs, os seus
clientes e acima de tudo a música, não teria lógica ser de outra forma. Assim
sendo, é de louvar o vigor da promotora ao restabelecer este ambicioso festival.
Posto
isto, para além da omissão de um nome mais sonante (ou dissonante em terminologia
amplifest), a qualidade e a grandeza do cartaz não diferem muito das edições
passadas. Claro que esta supressão tem a sua relevância no meu estado de espírito.
Em 2019 não teremos nada da dimensão de Neurosis, Godspeed, Swans, Cult Of Luna,
Converge ou até mesmo concertos quase inéditos como foi o de Altar Of Plagues
em 2015. Discutivelmente, os dois maiores nomes desta nova edição são
Deafheaven e Amenra, que por sua vez são bandas repetidas. Emma Ruth Rundle
também esteve há pouco tempo no Porto a dar lindíssimos concertos a solo sob o
alçado da Amplificasom. Bliss Signal, não sendo uma recorrência, traz um
artista que esteve presente no festival duas vezes (Altar Of Plagues e Wife).
As bandas portuguesas (Candura e Gaerea), não negligenciando a sua qualidade e
surpreendente faculdade de encaixe nesta irregular escada de grupos musicais,
são de contrato fácil. Assim sendo, Birds In Row, Daughters e talvez Inter Arma
são, para mim, as melhores surpresas. De resto desconheço ou pouco ouvi para
ter gosto formado, mas estou plenamente convicto da sua qualidade. É esta a
confiança do habitual freguês da Amplificasom, qualidade que efetivamente lhes
proporcionou uma reconfortante e acelerada venda de bilhetes nos primeiros dias
após o anúncio.
Como
velho casmurro, eu posso praguejar à vontade o não cumprimento dos meus
injustificados e não convincentes caprichos. O mais certo é marcar presença, e
no fundo tenho plena consciência que carecia profundamente de Amplifest. É
realmente um festival com um ambiente único e peculiar. É uma sorte existir um
evento como este em território português, e por essa razão, quando pondero o
investimento, lembro-me que não estou apenas a pagar para ver um conjunto de
bandas, mas também presenteio-me com uma ampla experiência singular.
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