terça-feira, 10 de outubro de 2017

Life is Strange: O Melhor Final

Spoilers de nível crítico!!!


Life is Strange é um jogo que inspira o jogador a reflectir o passado e o futuro, enquanto o obriga a tomar decisões na perspectiva da personagem Max. A sua grande mensagem, discutivelmente, demonstra aos jogadores a importância das decisões, e o quanto elas podem alterar a realidade que nos rodeia.

No entanto, quero realçar outra ideia, também importante, mas que pode ter passado despercebida para a maioria dos jogadores, que é a importância de conceder tempo às pessoas que amamos. Isto é transmitido na relação entre Chloe e o seu pai biológico, mas também, e mais relevante ainda, na intensa amizade entre Max e Chloe. Esta ligação entre elas é o olho da tempestade.



A decisão final entre salvar Chloe e destruir a baía assim como toda a gente que lá vive, ou deixar Chloe morrer e poupar tudo resto, é praticamente a única decisão que importa em toda a viagem. É o juízo final que vai anular tudo o que se passou anteriormente. Ou com a morte de toda a gente, ou com o regresso ao passado onde tudo começou. De um ponto de vista linear, faz lembrar a velha história das diferentes éticas entre Kant e Stuart Mill sobre a forma como se deve avaliar moralmente uma acção.

Sacrificar toda a gente (incluindo bons amigos de Max) por Chloe, não faz sentido de um ponto de vista mais lógico que emocional. No fundo, Chloe foi quem causou o caos por estar constantemente a morrer, e consequentemente necessitar dos poderes de voltar atrás no tempo de Max. O jogo fala muitas vezes de destino, e o dela era morrer em quase todas as realidades. 


Agora, a razão porque digo que a verdadeira mensagem do jogo é  a importância de partilhar o nosso tempo com pessoas que o merecem, é porque penso que esse foi o verdadeiro motivo porque Max obteu o poder de voltar atrás no tempo. Esta habilidade, forneceu a Max a oportunidade de conviver um pouco mais com a sua melhor amiga, mesmo estando ela morta. No fim, na verdadeira realidade, isso nunca aconteceu, mas as memórias são coisas nossas que nem mesmo o tempo nos pode roubar. A borboleta azul deu mais uma oportunidade a Max e a Chloe. Mais vida para elas viverem juntas, que de outra forma não seria possível.



Sacrificar Chloe é o final mais triste, mas é o que preenche mais, e dá um significado a toda a história. O outro final é vazio, um pouco egoísta, e acaba por eliminar esta ideia que transmiti no parágrafo anterior. Acho que a história perde um pouco o seu significado nesse cenário.




domingo, 12 de março de 2017

The Desintegration Loops - dlp 1.1 (Sentimentos e Pensamentos)


Já há algum tempo que conheço o trabalho de William Basinski. No entanto, houve um longo período de tempo em que me esqueci dele e da sua música. Certo dia, vinda dos cantos profundos da minha mente, ouço uma melodia. Não a reconheci imediatamente, mas era-me familiar. Esta acabou por se enterrar de novo sem que eu a descobrisse. Porém, a mensagem ficou, e eu sabia que a reconheceria se a ouvisse de novo.

A melodia pertence a dlp 1.1, uma das faixas de "Desintegration Loops".




É apenas uma música de 1 hora e 3 minutos que repete um trecho de poucos segundos repetidamente. Só que tal como o nome o diz, esta melodia desintegra-se à medida que o tempo vai passando.

Há algo de especial acerca desta música. Era suposto ser uma tremenda chatice. Afinal, qual é a piada de repetir sempre a mesma coisa durante uma hora? Mas não o é. Aliás, tem o efeito contrário, e atira-me para as suas infinitas rotações. Delas não consigo sair, fico preso a um encanto.

Não sei o que há nestes pedaços de som que se podem prolongar na eternidade. Sempre que me encontro a ouvir estes ruídos, não os quero desligar, quero que eles se alonguem. É mesmo uma força física que me impede. Talvez, quem sabe, devido ao medo de que tudo acabe se o fizer.

Trata-se de desintegração, mas acaba por me envolver num sentimento de integração. Tanto que quando o fim chega, deparo-me com um silêncio incómodo. Algo está errado. Falta-me a melodia familiar e acolhedora que ondulava pelo meu cérebro. E sinto-me tão só, tão solitário como nunca estive. Faz-me pensar no meu fim, e no de toda a gente. Mas de uma forma bela.



Provoca-me o transe que por vezes procuro, e consigo ver beleza nisso.